
Metas irreais e liderança tóxica ampliam crise de ansiedade no ambiente corporativo | Crédito: Shutterstock
O calendário corporativo de 2026 começa com um alerta vermelho nos departamentos de Recursos Humanos (RH) de todo o país, com reflexos diretos na Bahia.
Após um 2025 marcado por números alarmantes — mais de 166 mil afastamentos por ansiedade no Brasil, um salto de 15% em relação ao ano anterior —, a pauta do bem-estar deixou de ser um “mimo” para se tornar questão de sobrevivência financeira e jurídica para as organizações.
Para especialistas, o desafio agora é identificar o “modo ansiedade” das equipes antes que o problema chegue ao consultório médico ou aos tribunais.
“A ansiedade custa caro, mesmo quando não aparece imediatamente nos relatórios. Ela se manifesta no dia a dia: tudo vira urgente, as pessoas ficam irritadas, a comunicação perde clareza e o retrabalho aumenta”, explica Vanessa Lamego de Almeida, gerente de RH da Vetor Editora. Além dos afastamentos formais, as empresas enfrentam um inimigo invisível: o presenteísmo.

“A comunicação perde clareza e o retrabalho aumenta”, explica Vanessa Lamego de Almeida, gerente de RH da Vetor Editora | Crédito: Divulgação
Presenteísmo
Um estudo conduzido pela Vittude em 2025 revelou que 32% dos colaboradores operam nesse estado — estão fisicamente no trabalho, mas com perda severa de foco e fadiga cognitiva.
“A companhia paga salários e encargos, mas não captura a produtividade porque a pessoa está operando no limite”, pontua Tatiana Pimenta, CEO da Vittude.

Tatiana Pimenta destaca que 32% dos colaboradores operam no estado de ansiedade e estão fisicamente no trabalho, mas com perda severa de foco e fadiga cognitiva | Crédito: Nicolas Siegmann
Essa queda de rendimento muitas vezes sobrecarrega quem ainda está saudável, gerando um efeito dominó de adoecimento.
Na Bahia, o impacto é sentido na sinistralidade dos planos de saúde e no aumento de microatestados (inferiores a 15 dias), que não entram nas contas do INSS, mas desorganizam a operação.
Se a cultura da empresa foca apenas em “semanas de saúde mental” enquanto mantém metas irreais, o efeito pode ser o oposto do desejado. Juliana Camargo, diretora de Gente & Cultura da Funcional, defende que a saúde mental deve ser ancorada em dados reais e rituais permanentes.

Juliana Camargo reforça a nevessidade de políticas organizacionais efetivas para garantir o enfrentamento da queda de produtividade em virtude da ansiedade Crédito: Divulgação
Segurança psicológica
Para mudar esse cenário, o RH tem priorizado treinamentos que desenvolvam a autogestão emocional dos líderes e a chamada “segurança psicológica”.
Segundo Tatiana Pimenta, isso não significa ser “fofinho” ou abdicar da cobrança. “Segurança psicológica significa que é possível falar, aprender e errar sem sofrer retaliação. A cobrança continua, mas deve ser respeitosa e clara.
O olhar do RH também precisou se tornar mais sensível às diferenças. Grupos minorizados, por exemplo, carregam uma carga emocional extra para provar seu valor, o que exige políticas de proteção específicas.
“Tratar todos de forma ‘igual’ nem sempre é justo; às vezes, é preciso tratar de forma consciente”, alerta Vanessa Lamego.
No modelo híbrido, muito comum nas grandes capitais como Salvador, os sinais de alerta mudaram. O monitoramento agora passa pela “telemetria do trabalho saudável” — observando horários de mensagens e volume de reuniões — mas sem abrir mão da presencialidade intencional.
“Estar próximo permite perceber sinais sutis, como mudanças de energia, que não aparecem nas telas”, defende Juliana Camargo.
Summit NR-1
Em abril, o debate sobre a gestão de riscos psicossociais ganhará um novo capítulo com o Summit NR-1, promovido pela Vetor Editora | Giunti Psychometrics.
O evento focará na atualização da Norma Regulamentadora 01, que agora exige que as empresas gerenciem os riscos psicossociais com o mesmo rigor dos riscos físicos sob risco de penalidades.
A iniciativa foi desenhada para tirar a saúde mental do campo do discurso e trazê-la para o campo da gestão prática. Ele foca em como o RH e as lideranças podem construir ambientes psicologicamente seguros, atendendo às novas exigências legais e garantindo a sustentabilidade do negócio.
Voltada para diretores de RH, gestores de Saúde Ocupacional, C-Levels, profissionais de segurança do trabalho e psicólogos organizacionais, a atividade contará com transmissão. As inscrições e a programação completa podem ser acessadas pelo portal oficial de eventos da editora (Link: www.vetoreditora.com.br/summit-nr1).
RH Preventivo
Mapeamento Periódico Substituir o “achismo” por diagnósticos populacionais validados.
Educação em Saúde Letramento para líderes entenderem o que é, de fato, saúde mental.
Benefícios Estruturados Telepsicologia e dias de descompressão só funcionam se houver governança clínica e se o colaborador não tiver medo de ser julgado ao usá-los.
O que fazer ao identificar esses sinais?
Reequilíbrio de Carga Não espere o diagnóstico clínico. Se os sinais apareceram, redistribua tarefas e repactue prazos imediatamente.
Escuta Ativa Use as reuniões individuais para perguntar: “Como está a sua carga de trabalho hoje?” e “O que posso fazer para diminuir a sua pressão esta semana?”.
Segurança Psicológica Garanta que o colaborador saiba que pedir ajuda ou admitir sobrecarga não resultará em punição ou impacto na carreira.
Encaminhamento Clínico Se notar sofrimento agudo, direcione o colaborador para os programas de apoio psicológico ou telepsicologia da empresa



